Gustav
Mahler (1860-1911)
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Sinfonias
As 10 sinfonias escritas por Mahler não são apenas
as principais obras de sua produção musical; antes,
são praticamente as únicas coisas que escreveu,
sem desmerecer as suas belíssimas canções.
Mas, de fato, se levarmos em conta que a obra inteira de Mahler
se resume a vários ciclos de canções, 5
pequenas peças de música de câmara e 10
colossais sinfonias, algumas para coros igualmente imensos,
sem dúvida não podemos deixar de constatar a supremacia
do gênero sinfônico em sua obra, ainda que ele tenha
tratado a canção como uma extensão da sinfonia.
Segundo o próprio Mahler, em conversa com o compositor
finlandês Jan Sibelius, 'A sinfonia é o mundo!
A sinfonia deve abranger tudo!' |
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Tal
condição de privilegiar a forma sinfônica fez
dele um de seus maiores mestres; é impossível considerar
um estudo do gênero Sinfonia sem mencionar Mahler. Expandiu
a forma, fez uma síntese de recursos harmônicos e melódicos,
desde as técnicas barrocas mais elementares de contraponto
até as inovações de Wagner; acrescentou valores
inestimáveis ao virtuosismo instrumental, tanto a cada timbre
individual quanto em seu conjunto, tudo isso aliado a uma fluidez
e coerência melódica que até hoje é capaz
de espantar ao crítico mais cético. É claro
que há altos e baixos de inspiração no decorrer
de sua obra, mas na totalidade, o conjunto forma um uno coeso e
estreito de idéias musicais e extra-musicais.
Até a década de 50, o mundo praticamente desconhecia
sua obra; muito pouco se ouvia sobre Mahler, primeiro por sua música
ter sido banida da Alemanha durante a Segunda Guerra (Mahler era
judeu de nascimento), e depois por sua música encontrar certa
dificuldade em permanecer no repertório sinfônico de
outros países, como os EUA, cuja resistência à
sua música hermética, talvez um pouco advinda da impossibilidade
de torná-la pastiche, fez com que sua música ficasse
esquecida por muito tempo.
Graças a esforços de grandes maestros que conheceram
e reconheceram seu valor, como Bruno Walter, Otto Klemperer, Willem
Mengelberg, John Barbirolli, Bernard Haitink e Leonard Bernstein,
a música de Mahler passou a ser gravada com freqüência
e ouvida ainda mais, ao ponto de, hoje, Mahler se tornar um carro-chefe
do repertório de qualquer grande orquestra, ainda que os
recursos instrumentais exigidos por suas obras façam dele
um dos mais caros compositores da história.
As gravações das sinfonias de Mahler são, por
isso, cavalos-de-batalha não só das orquestras, mas
também das gravadoras, que se esforçam para cada vez
mais lançar opções diversas. Mas, por enquanto,
as melhores gravações continuam sendo as clássicas.
A dificuldade da aquisição de obras de Mahler não
reside apenas na escassez de títulos disponíveis no
mercado brasileiro; há também o problema de sua longa
duração, obrigando muitas vezes o ouvinte a comprar
2 discos para ouvir uma única obra. Como nem sempre estas
gravações oferecem bonus-tracks, o consumidor brasileiro
costuma ficar desistimulado. As sinfonias mais curtas, a Primeira,
Quarta e Quinta, são as únicas que cabem sempre em
um único CD, e talvez por isso, sejam as mais consumidas.
As demais, com exceção da Terceira, que obrigatoriamente
necessita de CD duplo, podem ser encontradas, dependendo da gravação,
em um ou dois CDs. Claro, dependendo do andamento do Maestro. Aqui,
não vou privilegiar a duração da sinfonia em
detrimento de sua qualidade estética e sonora; sempre indicarei
todas as possibilidades, bem como uma rigorosa classificação.
Você pode ir seguindo a barra de rolagem, e verá comentários
sobre todas as sinfonias, ou escolher diretamente a de seu interesse,
no menu:
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Symphony
3
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Symphony
4
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Symphony
6
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Symphony
7
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Symphony
8
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Symphony
9
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Symphony
10
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Sinfonia
no.1 em ré maior <Titan>
Uma das mais conhecidas de Mahler, empolgante e carismática.
Há uma infinidade de gravações desta sinfonia,
nem todas de boa qualidade. Como é impossível classificar
todas, posso mencionar algumas que particularmente são recomendáveis:
Poucas leituras desta sinfonia combinam tão bem a qualidade
sonora com uma interpretação eletrizante do que a versão
de sir Georg Solti com a CSO (Decca 411 731-2). Os metais e
as madeiras estão impecáveis; as cordas deslizam com
desenvoltura e segurança, os tempos são respeitados
com precisão, mas nunca aprisionando a imaginação
mahleriana. Altamente recomendável.
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De
mesmo cacife, até em alguns momentos melhor, é a leitura
de Leonard Bernstein com a Concertgebouw em 1987 (Deutsche).
Também igualmente inspirada, conjunto de metais balanceados,
e cordas intensas. Para quem gosta do estilo descontraído
de Bernstein, este é um CD de primeira: variações
inusitadas de andamento reforçam certas passagens melódicas
que normalmente nos passam despercebidas. Essa gravação
está disponível na LB edition.
Bernstein também gravou a Titan com a NYPO, pela CBS (hoje
relançada pela Sony, CBSCD 47573), e que vem junto com a
Segunda numa leitura com a LSO. Apesar de ser uma excelente interpretação,
tanto quanto a versão da Concertgebouw, é preferível
deixar a Segunda para outra ocasião, como a registrada pela
Deutsche com a NYPO.
Ainda podemos mencionar outras leituras interessantes: a de Simon
Rattle, que já há uma década é considerado
o herdeiro da tradição mahleriana de regência,
obteve críticas negativas na revista Classic CD, mas
tem vantagens que outras leituras não oferecem: a inclusão
do movimento intitulado Blumine, originalmente o 2o. mas
depois descartado pelo próprio Mahler. Está disponível
nesta gravação que Rattle fez com a CBSO em 1991 (EMI
CDC 754647-2). Apesar da crítica, não se pode dizer
que a leitura de Rattle não seja, no mínimo, digna.
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Uma
das leituras mais devotas é a de Bernard Haitink.
Dono de uma enrome intuição estética, bastante
detalhista e minucioso, extrai resultados magníficos
de suas interpretações. Em especial as sinfonias
de Mahler, todas são recomendadas sob sua batuta. A gravação
da Titan com a BPO pela Philips em 1988 (420 936-2) é
digna de figurar nas prateleiras, por seu refinamento e distinção.
Haitink já mencionou ser Mahler seu compositor predileto,
e a gravação faz jus ao entusiasmo. Haitink a
gravou com a Concertgebouw Orchestra em 1962, mas esta versão
mais recente é preferível, tanto pelo som quanto
pela maturidade. |
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Das
leituras mais recentes, temos a de Zubin Mehta, que gravou
várias vezes (com a Israel PO pela Decca, a NYPO pela CBS,
entre outras) e oferece uma leitura absolutamente correta; algo de
morno, embora convincente.
Já
a leitura de Kurt Masur com a NYPO (Teldec 9031 74868-2, 1992)
imprime um certo peso bruckneriano à partitura, que, em se
tratando dos dois primeiros movimentos, parece às vezes mais
exagerado que o necessário, mas que não deixa de passar
a certeza e a objetividade das idéias musicais ali desenvolvidas.
Esse peso faz muita diferença no solene e grandioso finale.
Igualmente recomendadas são as leituras de Seiji Ozawa,
com a BSO em 1977 e Claudio Abbado com a BPO em 1989, embora
mais ordinárias se comparadas com as demais.
Todas as outras interpretações disponíveis, de
Sinopoli, Giulini, Muti, Inbal, são
dotadas de muito bom gosto e entusiasmo - é realmente uma sinfonia
difícil de errar - mas são menos interessantes enquanto
criações interpretativas.
Para o mercado brasileiro especificamente (levando em conta que muitas
dessas gravações podem estar esgotadas), é recomendada,
caso nenhuma das alternativas anteriores esteja disponível,
a gravação da Naxos (8.550522), que é barata,
bem tocada pela Orquestra da Rádio Nacional da Polônia
(reg. de Michael Halász) e ainda traz o Blumine no bonus
track. voltar ao topo |
Sinfonia
no.2 em dó menor < Ressurreição >
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Esta
é uma obra fundamental no repertório pós-romântico;
constantemente visitada pelas maiores orquestras, coros e maestros
do mundo. Obra apaixonante, densa e majestosa. É onde desemboca
uma tradição austríaca que vem de Haydn, Mozart,
Beethoven, Schubert, Wagner, Bruckner e chega ao ápice do sinfonismo
nesta obra. Como se vê, o culto a ela não é vão;
além de constituir uma obra dramaticamente intensa, suas preocupações
espirituais e filosóficas, bem como o natural carisma sonoro
(melodias belíssimas, passagens de extrema leveza e harmonia
alternados com demoníacos e tempestuosos fortíssimos;
orquestração rica, que inclui órgão a
coro misto), fazem dela uma obra gravada com freqüência.
Entretanto, apenas 3 gravações dela são dignas
de nota:
Bruno Walter tem duas leituras registradas, uma de 1948 (cuja
sonoridade deixa a desejar) e outra, com a Columbia SO, dez anos depois,
e que merece toda a nossa atenção. Aliás, o ciclo
competo de Mahler por Walter está disponível pela Sony,
do antigo catálogo da CBS. Uma leitura vigorosa, extremamente
límpida, algo reflexiva, que não nos deixa dúvidas
das intenções mahlerianas. Os metais estão brilhantemente
equilibrados, embora o melhor deste registro sejam as madeiras e as
cordas. A versão original da CBS não é mais encontrada
atualmente. A Sony Classical relançou todas as sinfonias de
Mahler com Bruno Walter, sendo que o pacote, neste caso, traz a Primeira
e a Segunda juntas (Sony CBSCD 45674). Vale muito a pena!
Outra gravação é a de Otto Klemperer,
com a Philharmonia Orchestra em 1963, tendo como solista Elisabeth
Schwarzkopf. É um dos registros clássicos do disco,
disponível pela EMI, e que, embora não conte com a melhor
sonoridade possível, é muito bem gravada e tem um último
movimento dos mais bem acabados em toda a discografia de Mahler. Os
ouvintes habituados com essa obra sabem o quanto este último
movimento, pela diversidade de idéias e alternância súbita
de temperamento, é difícil de reger. Klemperer faz isso
com naturalidade e segurança ímpar, fazendo desta uma
gravação excelente. Klemperer registrou a Segunda algumas
outras vezes, como a versão com a BRSO em 1965. Mas a versão
de 63, com Schwarzkopf é soberana. Se ainda disponível
(EMI CDM 769 6622), tem a vantagem de caber em um único CD,
caso raro para esta sinfonia que geralmente ultrapassa os 80 minutos. |
A
última gravação recomendada é de 1988,
bem mais recente que as anteriores, mas é impossível
deixar de mencionar a estonteante leitura de Simon Rattle com
a CBSO pela EMI (7479628). A sonoridade é a melhor já
captada desta sinfonia, e a leitura, agraciada com o Grammophone
Awards. Dispensa maiores comentários, pois é eletrizante,
imperdível para quem aprecia esta obra. O Primeiro Movimento
vem isolado no CD1, para poder respeitar, em alguma medida, a indicação
do próprio Mahler em fazer uma pausa de pelo menos 15 minutos
entre o primeiro e os outros 4 movimentos restantes.
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Não
podemos deixar de mencionar também essa curiosidade:
Um economista milionário, fanático por Mahler chamado
Gilbert Kaplan, gostava tanto desta sinfonia que contratou
a LSO completa para tocar e gravar, sob sua batuta, esta Segunda Sinfonia
de Mahler. Kaplan, que não é músico profissional
e nem maestro, pediu auxílio técnico a Georg Solti,
alugou a orquestra inteira e regeu; o resultado pode ser conferido
na gravação da IMP Classics de 1988 (DPCD 910), cujas
críticas foram extremamente favoráveis! Kaplan ainda
é responsável por várias publicações
importantes sobre Mahler, incluindo um volume com a iconografia completa
do compositor
Outros grandes maestros de Mahler, Bernstein, Solti e Haitink,
também têm leituras primorosas, mas nada como estas citadas.
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Sinfonia
no.5 em Dó # menor
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A
quinta é uma obra importante, talvez sua mais conhecida obra,
e também divisora de águas. É quando Mahler
pela primeira vez prescinde da voz humana e consegue conceber um
grande universo apenas de sons instrumentais, sem textos explícitos.
É a primeira sinfonia que nada deve (pelo menos de maneira
clara) às canções do Wunderhorn. Escrita entre
1901-2 e revista em 1910, ela representa o mais puro ideal sonoro
que antes já havia dirigido Mahler nas sinfonias precedentes:
a evolução do trágico ao triunfo, da condenação
à redenção. Pela importância estrutural
e metafísica desta obra que, apesar de não conter
palavras, diz muito, sua interpretação é igualmente
complexa. Sua performance satisfatória depende de um domínio
técnico absoluto da arte da regência, para que a imaginação
e a sensibilidade do maestro estejam livres para poder dar vida
a esta criação sublime.
Poucos são estes maestros, apesar da enormidade de gravações
disponíveis.
Primeiramente, citamos talvez a maior delas, que é a de Sir
John Barbirolli, pela EMI
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